Body Double é uma rubrica do À pala de Walsh que transforma o artista convidado num programador (também) ao serviço das suas imagens. No âmbito desta rubrica, cada realizador ou artista escolhe uma obra sua e “programa” (virtualmente) um outro filme para a emparelhar. Num pequeno texto, dá pistas sobre a ligação entre os dois “corpos”.


Silent Running (O Cosmonauta Perdido, 1972), de Douglas Trumbull, à esquerda, e Fractais Tropicais (2026), de Leonardo Pirondi, à direita
Silent Running (O Cosmonauta Perdido, 1972) é um filme que descobri durante a montagem e a pós-produção de Fractais Tropicais (2026), por recomendação do meu amigo Jesse. Biosferas flutuando no espaço, robôs inteligentes e imagens macro de plantas filmadas em película fazem com que as duas obras se aproximem, quase como candidatas ideais a uma double feature.
Silent Running é, talvez, o filme que eu faria se tivesse nascido em outro tempo, em outro país, com outras visões de mundo e modos de pensar e fazer cinema bastante distintos. Ainda assim, acredito que—por vias mais intuitivas, pelo inconsciente e pelas ideias sobre o fim do mundo que continuam a assombrar a minha geração—Fractais Tropicais carrega uma energia semelhante, porém com mais esperança em torno do planeta e nossa possibilidade de aqui permanecermos.
Leonardo Pirondi, realizador de cinema
Fractais Tropicais é a primeira longa-metragem (14º filme) de Leonardo Pirondi e estreia-se mundialmente na Competição Nacional do 23º IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema amanhã, dia 7 de Maio, às 19h15, no Cinema São Jorge. Volta a repetir dia 10 de Maio, às 21h30, no Cinema Ideal. Leonardo foi consagrado uma das 25 Novas Caras do Cinema Independente de 2025 pela Filmmaker Magazine.
